intercâmbio em toronto

Sobre o que me faz feliz

Tô eu aqui, no Canadá, e quando paro para reflexões interiores comigo mesma rsrsrs… gente, tanta coisa descobri, tanta coisa se mostrou ruim ou boa por aqui, muito, muito mudou quando eu olho para o mundo, para a minha vida. Me alertaram que sim, este seria apenas um dos processos de estar fora do país e, principalmente, fora da sua zona de conforto.
Eu faço parte daquele grupo que faz intercâmbio e luta muito, muito, para conseguir ter uma vida com passeios, turismo, e o mínimo de consumo (me refiro a dinheiro mesmo). Eu e Julinho não somos de família ryca, não recebemos dinheiro do Brasil e não temos vida de brasileiro que se dedica inteiramente aos estudos e goza o resto do tempo. Pois bem… parte das descobertas está no quanto eu amo e desejo retomar minha profissão de jornalista no Brasil. Quando eu vim pra cá, estava eu trabalhando na minha área, ganhando a miséria do nosso piso estadual (Santa Catarina), e numa empresa com poucos investimentos em estrutura e equipe qualificada – investimentos fundamentais para a colheita de bons frutos na comunicação, principalmente, no que diz respeito a pautas relevantes e bem apuradas, e responsabilidade no que se diz na televisão. É claro que eu gostava do que fazia, apesar de que era no esporte, e não sei se quero trabalhar com esporte novamente… mas o que SEI, e vamos focar nisso, porque de NÃO SEI’S estou cheia, é que amo minha profissão, minhas possibilidade com ela, e eu “dentro dela”. Me encho de orgulhosinho bobo quando ao responder qual minha profissão no Brasil, aqui o povo gringo acha que faz todo sentido por conta dos meus óculos de grau (aquele estereótipo de novela…), mas deixa, acho bonitinho. : }
Temo ao mesmo tempo retornar para minha cidade e não ter espaço no mercado de trabalho, porque acompanho e tenho notícias de que tudo está reduzindo, equipes enxutas e tudo o mais. Dá medinho sim. Fora os recém-formados que vejo desempregado… enfim… Ser jornalista não é fácil e nenhum lugar no mundo… isso eu sei. Aqui a remuneração também não é das melhores, já ouvi falar. Ôhhh sina.
E depois disso também percebi que não adianta ter um poder de consumo tão superior ao Brasil, poder ter carros aqui tão facilmente, juros baixíssimos no cartão de crédito (12% ANO ANO!), ter salários semanalmente, mil coisas para fazer no verão, toda a segurança pelas ruas, preocupações a menos… (comparando ao Brasil)… SE, SEUS AMIGOS, sua família, sua mãe, seus irmãos, sua vida, sua história não estão aqui. Gente do céu, parece bobagem, “forçação” de barra… mas é sério… Pra mim nada disso interessa, sem este povo todo ao meu lado. Sem o almoço do domingo com a família, com aquele cardápio de sempre e sempre delicioso, sem a briga com os irmãos por bobagens, sem as cervejinhas para distrair a rotina (e ser rotina) nas quartas com os amigos, sem os cafés da tarde com a mamy… sem o cheiro da minha casa, o sabor do nosso café, o abraço dos amigos…
Hoje completam nove meses nesta Toronto de meu Deus. NOVE MESES! So-bre-vi-ven-te, como diria o VO (grupo de rap joinvilense)… e, lá com uns… quatro meses fora do berço, e era Natal e tudo o mais… eu concluí que o que me faz feliz é isso: as pessoas que me amam, ser amada e amar sem medo. O resto é resto.
E então, comecei sim a me condenar por estar aqui, tão loonge do que me faz feliz, por que? Pra que? Ok, aceitei que estamos aqui porque queremos, e temos data para retornar (maio de 2016) – isso se eu não surtar e voltar antes… – medo de mais um inverno… que isso aqui é uma fase (boa ou ruim) e que já colhemos bons frutos sim, aprendemos demais, todo dia é um aprendizado.
Então, confesso, que tenho sonhado muito com o dia em que for fazer minha malas e retornar para meu lar doce lar. Confesso, confesso. E é nessa esperança, desse dia maravilhoso, que sigo por aqui, e que busco forças e fé em Deus para continuar, mesmo perdendo dias junto com minha família, meus amigos… mesmo sabendo que não pude me despedir da minha amada tia que faleceu mês passado e reforçou dentro de mim todos esses desejos…
O Canadá trouxe muito amor pro meu coração, pra minha vida, por meio de muito choro, raiva, tristeza. A gente sempre levanta, continua, sorri! Assim como minha tia maravilhosa, que nunca desistiu, nunca.
É isso, e é por essas e outras que volto para meu país, que tem tudo de mim. Em breve.
É como aquela frase de Tom Jobim… “viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom”.
Sem mais.

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4 comentários sobre “Sobre o que me faz feliz

  1. E é nos perdendo que nosso “eu” se encontra…Desejo que cada dia seja um dia de reflexão e que vcs voltem renovados, vividos, saudosos e com a certeza de que voltar é sempre melhor que ir. Bjs!

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