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See you, Canada

Foi 1 ano e 2 meses de Toronto, Canadá. O plano era ficar mais, mas a neve sufocou. O frio ressecou tudo, até a coragem de fechar os quase dois anos sonhados por lá. Teve dia de -39°C.
O Canadá é para os fortes. Bem como a neve, o frio e o subemprego. E acho que fraquejei. Foi lá que iniciei a vida de casada, paguei contas nunca recebidas (como aluguel, seguro de carro), comprei carro, com esse inglês mequetrefe bati em portas a procura de trabalho, disse sim, disse não (ambas respostas, sempre com medo), fiquei doente e tive que fazer minha própria sopa, lavar as roupas, limpar casa, me relacionar com vizinhos (que foram todos ótimos!), aprender a me localizar com gps (mentira, ainda to aprendendendo rs), enfim. Mil e uma experiências novas todos os dias…
Do Canadá eu queria levar toda a segurança que nos cercava… levar toda a harmonia que está por todo o lado, numa cidade em que metade da população é imigrante, num lugar em que se vê de todo tipo de gente e suas culturas, tudo muito rico e acolhedor. Do Canadá quero esquecer os trabalhos pesados e monótonos e agradecer a Deus que tenho escolha. Do Canadá quero sempre lembrar o quanto Julio e eu nos tornamos mais fortes, unidos e corajosos! O Canadá será sempre um orgulho dentro de nós. Saudades dos amigos que deixamos. Saudades da Tim Hortons, dos frangos fritos com barbecue e do poutine. Obrigada pelo respeito, Canadá. Principalmente com todas nós, mulheres. Obrigada pela paciência e educação. Eu queria viver o Canadá, e consegui. Passou voando, mas teve o tempo que deveria ter em minha vida. See you, Canada.♡

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intercâmbio em toronto

Sobre o que me faz feliz

Tô eu aqui, no Canadá, e quando paro para reflexões interiores comigo mesma rsrsrs… gente, tanta coisa descobri, tanta coisa se mostrou ruim ou boa por aqui, muito, muito mudou quando eu olho para o mundo, para a minha vida. Me alertaram que sim, este seria apenas um dos processos de estar fora do país e, principalmente, fora da sua zona de conforto.
Eu faço parte daquele grupo que faz intercâmbio e luta muito, muito, para conseguir ter uma vida com passeios, turismo, e o mínimo de consumo (me refiro a dinheiro mesmo). Eu e Julinho não somos de família ryca, não recebemos dinheiro do Brasil e não temos vida de brasileiro que se dedica inteiramente aos estudos e goza o resto do tempo. Pois bem… parte das descobertas está no quanto eu amo e desejo retomar minha profissão de jornalista no Brasil. Quando eu vim pra cá, estava eu trabalhando na minha área, ganhando a miséria do nosso piso estadual (Santa Catarina), e numa empresa com poucos investimentos em estrutura e equipe qualificada – investimentos fundamentais para a colheita de bons frutos na comunicação, principalmente, no que diz respeito a pautas relevantes e bem apuradas, e responsabilidade no que se diz na televisão. É claro que eu gostava do que fazia, apesar de que era no esporte, e não sei se quero trabalhar com esporte novamente… mas o que SEI, e vamos focar nisso, porque de NÃO SEI’S estou cheia, é que amo minha profissão, minhas possibilidade com ela, e eu “dentro dela”. Me encho de orgulhosinho bobo quando ao responder qual minha profissão no Brasil, aqui o povo gringo acha que faz todo sentido por conta dos meus óculos de grau (aquele estereótipo de novela…), mas deixa, acho bonitinho. : }
Temo ao mesmo tempo retornar para minha cidade e não ter espaço no mercado de trabalho, porque acompanho e tenho notícias de que tudo está reduzindo, equipes enxutas e tudo o mais. Dá medinho sim. Fora os recém-formados que vejo desempregado… enfim… Ser jornalista não é fácil e nenhum lugar no mundo… isso eu sei. Aqui a remuneração também não é das melhores, já ouvi falar. Ôhhh sina.
E depois disso também percebi que não adianta ter um poder de consumo tão superior ao Brasil, poder ter carros aqui tão facilmente, juros baixíssimos no cartão de crédito (12% ANO ANO!), ter salários semanalmente, mil coisas para fazer no verão, toda a segurança pelas ruas, preocupações a menos… (comparando ao Brasil)… SE, SEUS AMIGOS, sua família, sua mãe, seus irmãos, sua vida, sua história não estão aqui. Gente do céu, parece bobagem, “forçação” de barra… mas é sério… Pra mim nada disso interessa, sem este povo todo ao meu lado. Sem o almoço do domingo com a família, com aquele cardápio de sempre e sempre delicioso, sem a briga com os irmãos por bobagens, sem as cervejinhas para distrair a rotina (e ser rotina) nas quartas com os amigos, sem os cafés da tarde com a mamy… sem o cheiro da minha casa, o sabor do nosso café, o abraço dos amigos…
Hoje completam nove meses nesta Toronto de meu Deus. NOVE MESES! So-bre-vi-ven-te, como diria o VO (grupo de rap joinvilense)… e, lá com uns… quatro meses fora do berço, e era Natal e tudo o mais… eu concluí que o que me faz feliz é isso: as pessoas que me amam, ser amada e amar sem medo. O resto é resto.
E então, comecei sim a me condenar por estar aqui, tão loonge do que me faz feliz, por que? Pra que? Ok, aceitei que estamos aqui porque queremos, e temos data para retornar (maio de 2016) – isso se eu não surtar e voltar antes… – medo de mais um inverno… que isso aqui é uma fase (boa ou ruim) e que já colhemos bons frutos sim, aprendemos demais, todo dia é um aprendizado.
Então, confesso, que tenho sonhado muito com o dia em que for fazer minha malas e retornar para meu lar doce lar. Confesso, confesso. E é nessa esperança, desse dia maravilhoso, que sigo por aqui, e que busco forças e fé em Deus para continuar, mesmo perdendo dias junto com minha família, meus amigos… mesmo sabendo que não pude me despedir da minha amada tia que faleceu mês passado e reforçou dentro de mim todos esses desejos…
O Canadá trouxe muito amor pro meu coração, pra minha vida, por meio de muito choro, raiva, tristeza. A gente sempre levanta, continua, sorri! Assim como minha tia maravilhosa, que nunca desistiu, nunca.
É isso, e é por essas e outras que volto para meu país, que tem tudo de mim. Em breve.
É como aquela frase de Tom Jobim… “viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom”.
Sem mais.

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Esquentando com o Canadá

Hoje o dia mal começou, mas perto das 10 horas da manhã tô me achando o ser humano dos mais ativos. Hunf, tá, menos.
Desde que me percebo como gente durmo demais e faço do sono um dos meus “hobbies” favoritos! E não venha me dizer que dormir é perder tempo. Do meu tempo sei eu.
Mas, reconheço, que hoje em dia, tenho descoberto que ‘existe vida’ antes das 9h, que o dia fica lindamente longo (ainda mais quando tem este sol lindo, como hoje!), e poder almoçar (não tomar café da manhã) ao meio-dia tem seu valor.
Já tomei café da manhã, limpei o chão, tirei pó, vou fazer almoço, caminhar no parque e estudar inglês.
Mas, acima de tudo, o que impulsiona loucamente meu humor (apesar de que eu já sabia disso, mas em Toronto isso ficou mais evidente) é o clima. Gente, o CLIMA. Saber que agora gozamos da Primavera, entre 15 e 20 graus, dias lindos e longos com muito sol (o sol nasce 6h15 e se põe às 20h40), as árvores estão ficando verdinhas novamente (e até bem rápido, viu?!), muuuuuuuitas flores por aqui, a grama verde e os parques (que são mais de mil pela cidade… MIL!) lotados, pessoas lendo, caminhando, relaxando… sair de casa com UMA blusa, UMA calça, UMA meia (não 3!), sem touca, sem luvas, sem cachecol… realmente, li-ber-da-de.
Tudo isso tem ido de encontro total ao meu frequente bom humor e vontade de continuar buscando o que vim fazer aqui.
É muito bacana perceber o quanto as pessoas mudam junto com a natureza, pode parecer lógico para alguns e até nenhuma novidade. Mas tenho contemplado tudo isso de camarote.
Só observo a vizinhança correndo e arrumando seus jardins, suas hortas. E como este solo é fértil! Nem parece que meses atrás estava com meio metro de neve… há vida embaixo e depois da neve rsrsrsrs. Agora voltamos a ver os esquilos fofinhos e ariscos! As motos estão de volta pela cidade e há muitos, muitos ciclistas!
Por agora os planos são comprar bikes, usar os patins, desfrutar o parque, comprar uma bola, ir ao zoológico no sábado conhecer o urso panda gigante e no High Park ver as cerejeiras e zás zás zás.
Tô esquentando junto com você, Canadá!
Take care!

intercâmbio em toronto

Remoto controle

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Atualmente vivo no Canadá, em Toronto, a maior cidade deste congelante país. Esta foto foi no meu primeiro mês aqui (agosto, 2014), no famoso e maior parque da cidade, o High Park. É lindo mesmo.
Eu vim pra cá com meu digníssimo há nove meses para estudarmos inglês. Que fase. Calcule o que é aprender um novo idioma beirando os 30 anos. Sou dessas que imagina que o cérebro enferruja (caso não exercitado)… mas, não só por isso, ele fica mais devagar, vamos aceitar.
E foi aí que a gente largou tudo em Joinville (Santa Catarina – Brasil), colocou o pouco que sobrou na mala e partiu.
Devidamente graduados, além de digníssimo o ‘meu’ é mestre em Física, trabalhávamos na nossa área, morando com os pais, cultivando sonhos e planos para nossa vida. Mas sabe quando a vida não te surpreende mais, e a rotina te envelhece o espírito…?!
Nosso primeiro intercâmbio e a realização de mais um sonho. O aprendizado do idioma continua e não tá fácil.
Mas, eu estava pensando esses dias, no que é o Canadá, mais especificamente Toronto, que é onde estamos, claro. Vejo na internet tantas reportagens falando sobre a alta segurança daqui, a qualidade de vida, sobre ser “o melhor lugar do mundo” para se viver. Já achei exagero, mas foi o que eu li.
Quando “skypiei” com minha grande amiga pela primeira vez e ela me questionou sobre Toronto, primeiras impressões e etc., eu de reflexo falei sobre a segurança. Como desanimei a coitadinha: “nossa, Camilla, que falta de poesia”. rs Eu ri. Acontece que estar num lugar sem falar o idioma, com pessoas de todos os lugares do mundo, se perdendo e se achando no google maps constantemente… o que te consola? “Ops, ufffa… estamos seguros…”
Inegável este adjetivo para falar de Toronto. Das boas sensações que sinto aqui e que me dão medo de voltar ao Brasil. Mas, a gente enfrente os medos. rs
Contudo, eu quero ressaltar o tamanho do frio desse lugar. Não, gente… cês não sabem o que é frio, não… defini o frio esses dias, e tava contando pro meu irmão caçula… (ele agora mora em Curitiba e reclama dos nove graus POSITIVOS pelas manhãs… sabe de nada, inocente). Ao sair de casa, no inverno, em 30 segundos, o frio é como mariposas invisíveis que colam no seu corpo dos pés a cabeça, por dentro e por fora. Impossível, impossível. Às vezes não sei se sobrevivo ou se quero mais um inverno aqui, traumatizei.
E percebi que Toronto é um lugar sem identidade. Ou com uma identidade tão coletiva, já que você convive diariamente com pessoas de todos os lugares do mundo aqui, tudo em plena harmonia (gosto muito disso!), uma identidade sem identidade, ou sei lá o que. Porque… o que você menos vê aqui são os canadenses, rs… em toda a cidade existem grupos, comunidades unidas pela sua nacionalidade, vivendo-a ou comercializando-a. Chinês, japonês, coreano, filipino, italiano, português, brasileiro, indiano, mexicano, grego. Dá pra dar uma volta ao mundo sem sair daqui hehehehe… e de repente percebo, depois de meses, temos como prato típico um POUTINE, que eu amo: batatas fritas (normalmente ainda com a casca, e são as melhores, mais saborosas), cubinhos de queijo canadense por cima (sei lá eu que queijo é esse), e pra fechar, o Gravy maravilhoso em cima. É um molho artificial de carne esplêndido. Como, como, como e não enjoo.
No mais, Toronto é uma cidade de muito, muito trabalho, trabalha-se demais, ganha-se por hora, diverte-se pouco.
Aí coloquei essa música que amo… e acho que vou terminar de falar. Tinha mais pra falar daqui. Mas me perdi nas ideias.