intercâmbio em toronto

Esquentando com o Canadá

Hoje o dia mal começou, mas perto das 10 horas da manhã tô me achando o ser humano dos mais ativos. Hunf, tá, menos.
Desde que me percebo como gente durmo demais e faço do sono um dos meus “hobbies” favoritos! E não venha me dizer que dormir é perder tempo. Do meu tempo sei eu.
Mas, reconheço, que hoje em dia, tenho descoberto que ‘existe vida’ antes das 9h, que o dia fica lindamente longo (ainda mais quando tem este sol lindo, como hoje!), e poder almoçar (não tomar café da manhã) ao meio-dia tem seu valor.
Já tomei café da manhã, limpei o chão, tirei pó, vou fazer almoço, caminhar no parque e estudar inglês.
Mas, acima de tudo, o que impulsiona loucamente meu humor (apesar de que eu já sabia disso, mas em Toronto isso ficou mais evidente) é o clima. Gente, o CLIMA. Saber que agora gozamos da Primavera, entre 15 e 20 graus, dias lindos e longos com muito sol (o sol nasce 6h15 e se põe às 20h40), as árvores estão ficando verdinhas novamente (e até bem rápido, viu?!), muuuuuuuitas flores por aqui, a grama verde e os parques (que são mais de mil pela cidade… MIL!) lotados, pessoas lendo, caminhando, relaxando… sair de casa com UMA blusa, UMA calça, UMA meia (não 3!), sem touca, sem luvas, sem cachecol… realmente, li-ber-da-de.
Tudo isso tem ido de encontro total ao meu frequente bom humor e vontade de continuar buscando o que vim fazer aqui.
É muito bacana perceber o quanto as pessoas mudam junto com a natureza, pode parecer lógico para alguns e até nenhuma novidade. Mas tenho contemplado tudo isso de camarote.
Só observo a vizinhança correndo e arrumando seus jardins, suas hortas. E como este solo é fértil! Nem parece que meses atrás estava com meio metro de neve… há vida embaixo e depois da neve rsrsrsrs. Agora voltamos a ver os esquilos fofinhos e ariscos! As motos estão de volta pela cidade e há muitos, muitos ciclistas!
Por agora os planos são comprar bikes, usar os patins, desfrutar o parque, comprar uma bola, ir ao zoológico no sábado conhecer o urso panda gigante e no High Park ver as cerejeiras e zás zás zás.
Tô esquentando junto com você, Canadá!
Take care!

Aprender inglês: conselhos que me deram

Aprender inglês: conselhos que me deram – parte 1

Nunca fui de ouvir músicas “estrangeiras”, isso mudou há pouquíssimo tempo. Nunca entendi inglês (aos poucos vou progredindo, perto dos 30 rs) e pra mim nunca fez muito sentido ouvir, curtir, cantar e dançar uma música sem entender do que se tratava. E também nunca fui um ser dedicado e com tanta sede de conhecimento para pesquisas e infinitas traduções sem sentido feitas ao pé da letra, pela internet, para buscar a “lógica” (ou não) da canção.
Claro que tive exceções, por influências de pessoas próximas, ouvi muito Bob Marley (e ouço até hoje), mas neste caso, naquela época, o embalo falava “mais alto” pra mim do que qualquer outra coisa. Aquela coisa que a gente fala de “positive vibration” rsrs coisas de reggae music, que eu sempre gostei e ainda gosto.
Com o tempo, alguns artistas que eu gosto e acompanho gravaram músicas em inglês, francês… e fui apresentada a algumas bandas novas e bacanas… então, fui perdendo a preguiça e achando bom “desbravar” as traduções e tudo mais.
Aqui em Toronto, estudando inglês, e o que mais ouço de conselhos para acelerar minha aprendizagem é: fuja de brasileiros, ouça músicas em inglês, veja filmes em inglês (uns dizem pra usar a legenda em inglês, outros dizem que não), frequente lugares tipicamente canadenses para exercitar o ouvido, veja seriados, procure ler (não importa se você não entende! – dizem alguns!)… enfim… sobre todos estes conselhos, queria falar sobre a parte da música. Ahhhh, a música…
Na minha vida música sempre foi parte fundamental. Música na hora do banho, música quando acordo, música quando pego ônibus, quando entro no carro, música no computador, música na TV (canais de música), bar com música, dormir com música, dançar a música rs. Mas nunca fui daquelas atualizadas em música. Tenho amigos que sempre sabem “o som do momento”, o último CD lançado, os projetos futuros, datas de turnês… talvez pela minha pouca memória, isso tudo não serve pra mim. Ainda mais que tenho uma grande paixão pelas coisas antigas… poutz, que medo de falar isso e… enfim. (…)
Gosto de música brasileira, de música popular brasileira. E taí a maior das dificuldades aqui… deixar de ouvir minhas músicas brasileiras. Como faz?
E aí eu procuro dar uma variada e ouvir as gravações em inglês de Caetano Veloso, Rodrigo Amarante, hehehehe…
Mas, realmente, estando aqui e vivenciando toda essa cultura tão diferente… me vejo a cada dia mais verde e amarela por aqui, sabendo que meu canto é no Brasil e que ainda volto, e nem falta tanto assim. Porque tem muita coisa do Brasil que me faz bem, me consola, me alegra, me faz carinho… e, além da comida, tenho a música como parte fundamental no meu processo de procurar me manter em pé aqui e confiante. “Pra frente é que se anda…”
Então, minha gente, vamos tentar seguir o outros conselhos ali… hehehe… porque na minha música ninguém toca.
Beijos!

intercâmbio em toronto

Remoto controle

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Atualmente vivo no Canadá, em Toronto, a maior cidade deste congelante país. Esta foto foi no meu primeiro mês aqui (agosto, 2014), no famoso e maior parque da cidade, o High Park. É lindo mesmo.
Eu vim pra cá com meu digníssimo há nove meses para estudarmos inglês. Que fase. Calcule o que é aprender um novo idioma beirando os 30 anos. Sou dessas que imagina que o cérebro enferruja (caso não exercitado)… mas, não só por isso, ele fica mais devagar, vamos aceitar.
E foi aí que a gente largou tudo em Joinville (Santa Catarina – Brasil), colocou o pouco que sobrou na mala e partiu.
Devidamente graduados, além de digníssimo o ‘meu’ é mestre em Física, trabalhávamos na nossa área, morando com os pais, cultivando sonhos e planos para nossa vida. Mas sabe quando a vida não te surpreende mais, e a rotina te envelhece o espírito…?!
Nosso primeiro intercâmbio e a realização de mais um sonho. O aprendizado do idioma continua e não tá fácil.
Mas, eu estava pensando esses dias, no que é o Canadá, mais especificamente Toronto, que é onde estamos, claro. Vejo na internet tantas reportagens falando sobre a alta segurança daqui, a qualidade de vida, sobre ser “o melhor lugar do mundo” para se viver. Já achei exagero, mas foi o que eu li.
Quando “skypiei” com minha grande amiga pela primeira vez e ela me questionou sobre Toronto, primeiras impressões e etc., eu de reflexo falei sobre a segurança. Como desanimei a coitadinha: “nossa, Camilla, que falta de poesia”. rs Eu ri. Acontece que estar num lugar sem falar o idioma, com pessoas de todos os lugares do mundo, se perdendo e se achando no google maps constantemente… o que te consola? “Ops, ufffa… estamos seguros…”
Inegável este adjetivo para falar de Toronto. Das boas sensações que sinto aqui e que me dão medo de voltar ao Brasil. Mas, a gente enfrente os medos. rs
Contudo, eu quero ressaltar o tamanho do frio desse lugar. Não, gente… cês não sabem o que é frio, não… defini o frio esses dias, e tava contando pro meu irmão caçula… (ele agora mora em Curitiba e reclama dos nove graus POSITIVOS pelas manhãs… sabe de nada, inocente). Ao sair de casa, no inverno, em 30 segundos, o frio é como mariposas invisíveis que colam no seu corpo dos pés a cabeça, por dentro e por fora. Impossível, impossível. Às vezes não sei se sobrevivo ou se quero mais um inverno aqui, traumatizei.
E percebi que Toronto é um lugar sem identidade. Ou com uma identidade tão coletiva, já que você convive diariamente com pessoas de todos os lugares do mundo aqui, tudo em plena harmonia (gosto muito disso!), uma identidade sem identidade, ou sei lá o que. Porque… o que você menos vê aqui são os canadenses, rs… em toda a cidade existem grupos, comunidades unidas pela sua nacionalidade, vivendo-a ou comercializando-a. Chinês, japonês, coreano, filipino, italiano, português, brasileiro, indiano, mexicano, grego. Dá pra dar uma volta ao mundo sem sair daqui hehehehe… e de repente percebo, depois de meses, temos como prato típico um POUTINE, que eu amo: batatas fritas (normalmente ainda com a casca, e são as melhores, mais saborosas), cubinhos de queijo canadense por cima (sei lá eu que queijo é esse), e pra fechar, o Gravy maravilhoso em cima. É um molho artificial de carne esplêndido. Como, como, como e não enjoo.
No mais, Toronto é uma cidade de muito, muito trabalho, trabalha-se demais, ganha-se por hora, diverte-se pouco.
Aí coloquei essa música que amo… e acho que vou terminar de falar. Tinha mais pra falar daqui. Mas me perdi nas ideias.

abobrinhas

Chegou a hora.

Já viu que tem vezes que a hora CHEGA MESMO  e não se tem o que fazer mais? É tipo isso… com relação ao meu primeiro texto em um BLOG. Meu Deus: blog! Tão popular, tão comum hoje em dia, e pra mim sendo o auge na minha interação virtual. Uma vez… muito tempo atrás… eu fiz um… não lembro o nome, nem senha, nem nada. Mas fiz um primeiro post e tinha o maior pânico do mundo ao imaginar alguém ME LENDO.

Sou falante (até demais), mas quando parava para imaginar eu escrevendo meus pensamentos na internet, assim, pra “qualquer” um ler e… ix, não sei explicar, mas era motivo de “jamais terei um”. Agora estou em Toronto (Canadá), onde passo uma das fases mais… estranha, difícil, surpreendente e misteriosa da minha vida. Meu cérebro tem trabalhado loucamente por ele mesmo, sozinho, compondo textos que me tiram o sono.

Tem também minha amiga que escreve muito, que transborda sensibilidade em palavras e me incentivou. Ainda falamos sobre retomar o hábito dos nossos diários… antigamente aliviávamos tanto nossas ânsias por meio da escrita em privadíssimos diários ou em confidencialíssimas cartinhas escritas nas últimas folhas do caderno da escola. Por hoje já sobra pouco tempo, pouco lápis, pouco papel, pouca coragem.

Eu decidi pelo blog pela agilidade na escrita. É, tô num nível que o lápis e minhas mãos não acompanham minha hiperatividade emocional. Eu não sei como se faz mais com relação às interações “bloguísticas”. Por aqui não direciono meus assuntos, nem interesses, porque tenho mudado tudo, tanto, a todo momento.

Conforme sentir, eu escrevo. Sabe-se lá o que vem.